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sábado, 25 de abril de 2015

Bom dia olhos azuis.

Bom dia olhos azuis,
Vocês não são nada para mim,
Não são belos como o céu,
nem tão vivos como a água,
não vejo a beleza que tanto clamam.

Boa tarde olhos azuis,
que são tão desdesenhosamente superiores,
São sempre superfluos,
E nunca, nunca vejo o que há por trás deles,
a não ser a falsidade e a dúvida.

Boa noite olhos azuis,
Nem tão escuros podem ainda enfeitiçar-me,
amei-os tanto outrora,
mas nunca mais serei infeitiçada porque os demais se levam facilmente por olhos que são tão exóticos quanto os meus,
porque os meus são sempre os desejados,
sempre tiveram tudo,
o sentimento,
a verdade,
a sinceridade.
Mostram sempre o que eu sempre quis, e o que todos erroneamente fingem querer,
fingem querer a verdade,
fingem querer a sinceridade,
fingem querer o sentimento,
porque eles simplesmente acham forte demais e não conseguem aguentar a fúria de tudo isso,
mas eu fui forte o suficiente para desejar,
por mais que doa.

Boa noite a tudo e a todos,
os olhos,
porque eu os conheço em toda sua plenitude.
Todos seus segredos,
e todas as suas intenções.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Olá

Oi galera, como tem-se informado de que sou formada em Letras, me interesso muito por livros e geralmente passeando pela submarino ou outro site, "descubro" livros e filmes novos ao meu conhecimento. É interessante quando encontramos algo grande e como nunca os vimos. Numa dessas "viagens" achei o filme "A Dama das Camélias" de 1936 com Greta Garbo, indo ao youtube conferir o trailer, além de assistir o trailer da versão de 1936, olho nas sugestões e surge o de 1921.
E acho além disso o filme completo de 1921, que é uma versão do livro só que trazido para os anos 20. O teatro mudo sempre me impressionou muito, embora eu não tenha assistido muitos filmes mudos e os preto e branco acho-os misteriosos e a nuance do cinza é bastante atrativa e interessante aos meus olhos.
Com a impressão de algumas simples imagens, estou fazendo uma homenagem colocando fotos no plano de fundo sobre o filme de 1921. A atriz que faz a personagem principal me assustou demais, ela nos mortifica, parece uma atriz perfeita para filmes de terror, com seus olhos bem destacados, pele muito branca e boca muito pequena, dá a impressão de ser algo não natural e vivo. O que aumenta esse ar horripilante é a baixa qualidade de nitidez dos filmes mudos, sob o pó de arroz, todos os atores jovens adquirem uma palidez mortal, e como eu disse anteriormente, a baixa qualidade da nitidez dos filmes mudos tem um efeito de pequena percepção dos olhos, que quase desaparecem e mais nos aterrorizam.
Pesquisei um pouco sobre a atriz Alla Nazimova e a vida dela foi MUITO interessante e penosa.



Estão aí duas imagens horripilantes de Alla Nazimova.

Se quiserem, assistam o filme "A Dama das Camélias" de 1921: https://www.youtube.com/watch?v=JEtMgrJN4EY

sexta-feira, 27 de março de 2015

Desejo

Livre como o vento
eu quero ser,
apenas observo a liberdade,
parece tão fácil, mas sei que não é.

Renunciar as deliciosas algemas,
que tanto amamos.
Apenas fantasio
minha liberdade,
parece tão bela,
mas eu sei o quanto é caro.

Sou hipócrita quando afirmo ter me libertado de certas correntes,
mas no fundo sei que ainda estou presa.
Só pensando em me libertar,
e respirar o fedor do esgoto,
mas quem disse que tudo é perfeito?
Se nem a prisão de delícias é perfeita,
Quem tudo tem, se enjoa facilmente.
Eu lentamente procuro as chaves,
para me libertar da amordaça.
Sair desse pegajoso doce,
e experimentar a amarga libertinagem.

terça-feira, 24 de março de 2015

Não é a hora de ir.

Morte,
Suas garras finas
Tentam pegar as minhas finas mãos entre o vento.
Mas não as conseguem agarrar.

O vento não deixa,
Que você me possua.
O vento se delicia com minhas mãos.
Beija-as ternamente.
E não querem dividi-las contigo.

São mãos finas,
Quase assemelhando as suas.

O decoro é quase absorto.
Mas ainda não é a hora
De ir.

domingo, 8 de março de 2015

Dias

O dia escorre
Se esvai
Segunda,
Terça,
Quarta,
Quinta,
Sexta,
Sábado,
Domingo.

Tudo igual,
Monótono,
Chato.

domingo, 1 de março de 2015

Velhos óculos

Via de um jeito,
vejo de outro.

As lentes mudaram,
elas sempre mudam.

Mudam constantemente,
a cada dia que passa, um óculos diferente.
Mas fica na memória o óculos sem cor, sem aros, que usei aos 5 anos.
Vi coisas comuns,
mas aqueles óculos,
como que mágicos,
fizeram eu ver dentro da minha cabeça princesas,
rios de fogo,
finais felizes,
bondade,
coragem,
a chuva,
a felicidade,
a dor,
os olhos do papagaio,
o céu azul.

Eram tantas coisas, mas não me recordo mais,
só as sensações vem,
daquele óculos,
gostaria de usá-lo novamente,

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Fantasma

Olá fantasma,
Que caminha apressadamente cruzando minha fronte,
Sem olhar nos meus olhos.
Olá fantasma,
Que deixa o desejo intenso de minha alma,
Para apenas ser reconhecida por ti.
Olá fantasma,
Que se esqueceu de mim,
Mas eu nunca o esqueci.
Olá fantasma,
Que nunca perdoou a si mesmo,
Mas eu o perdoei.

Adeus fantasma,
Que sempre se vai para o inferno,
Em busca de perdão.
Adeus fantasma,
Que tem o meu desprezo pelo desprezo em relação a uma antiga alma amiga,
Da qual se você não vier, ela nunca mais virá.
Adeus fantasma,
Que simplesmente passa em minha fonte,
E desaparece.